quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Trorion

Durante muito tempo acreditei que não sonhava. Concreta, fria era assim que me sentia quando ouvia dizerem: ... SEM SONHOS, A VIDA NÃO TEM SENTIDO...
Achava esse discurso etéreo demais, quase metafísico. Como posso me sustentar em efemeridades, fantasias, idéias fugazes e fazer delas meu norteador?
Sabia-me cheia de novos sentidos, uma usina contínua deles, algo devia ter de muito errado aí... Delírio? Patologia? Déficit?
Percebi que mais do que sonhar, executo projetos, sonhos com propósitos, metas que saem da planta e vão se materializando por mim, em obra intensa, mas, sem pressa
Mais que sonhar acordada, prefiro acordar, diariamente, para a vida.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Didática

Nossa lógica capitalista nos subjetiva nas relações da mesma forma, então, quando digo que TENHO um namorado/marido/filho é a lógica de consumo e posse que passa a imperar sobre isso.
E como todo objeto que se consome, ele vai se tornando gasto, velho, vamos enjoando dele, por isso a separação e, muitas vezes, a traição sempre acontece, de alguma forma. É retroalimentar.
A partir daí, também acho que se o outro É MEU, ele tem que ser aquilo que quero, e não a essência do que ele é, o que incorre em ciúmes, obrigações.
Logo, o sentimento se vai, e vem as regras. E, onde há regra, vamos mesmo burlar.
Para dar conta disso, criamos umas "mentirinhas" lindas, mas perversas, como o amor incondicional materno e o amor romântico, que, aprisiona quem sente e gera a inadequação e a patologia para quem percebe que é irreal; mantém a sociedade de consumo funcionando com os cidadãos de bem.
Por isso, quero algo, sem patente, sem regra, mas, que de fato seja a essência do que tem que ser, do tempo que der conta de poder e querer ficar.
É isso.

PS: é mera coincidência, mas bem a propósito, a postagem no Valentine´s Day!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

É nóis!

Que eu gosto de rap não é novidade. Qualquer pessoa que conviva comigo um dia, acaba percebendo, seja por dizer mesmo, seja por expressões, gírias, enfim, é algo que incorporei porque faz sentido, gosto da batida, gosto das letras.
Acredito no movimento.Penso que as ondas de violência que temos hoje seriam maiores e mais impactantes caso o movimento HIP HOP não tivesse emergido.
Ele trouxe a voz calada das ruas, dos guetos, a (re) construção de uma identidade negra, mas, também pobre, trouxe a possibilidade de subjetivação para além dos centro urbanos, para além do padrão Globo de qualidade. A subjetivação da margem, da periferia, o que a gente não vê quando desliga a TV.
A fala entrecortada pelos sons dos scratchs que destoam do encadeamento, mas complementam, a crônica da vida dura, concreta que ganha ritmo, cadência sem simbolismos ou metáforas; as imagens distorcidas , mas carregadas de cores dos grafites, de signos muitas vezes não codificados que somos obrigados a nos confrontar nos muros das ruas. Não querem nos olhar, mas a montanha veio e está aqui.
O movimento dos B-Boys que emprestam seu corpo para malabarismos, diriam uns, contorcionismos, diriam outros, mas que trazem em sua dança a marca da diferença.
A diferença do molejo, do ritmo, da habilidade que se tem que desenvolver ao longo da vida de privações, vida de renúncias, vida de exclusões.
Peça licença e entre na roda, mas ali dá sim para saber quem é quem. É como se, através do movimento, nos dissessem: É, mas isso vocês não fazem, e se fizerem não é como nós!
Nós que utilizamos as imagens, fomos engolidos pela cinestesia da dança, a visibilidade dos grafites, o som abafado que não se barra nos carros escuros.
Só para contrariar as estatísticas da ciência das elites, fizeram melhor! Sem maldade...

sábado, 3 de janeiro de 2009

Você tem sede de quê?

Qdo me faltam palavras, ó vcs aí! Obrigadíssima! Já começo o ano evitando a fadiga.

Na sacada do prédio Marcelino provocava inveja. Verde, vistoso, tão equilibrado em sua beleza que parecia o mesmo desde que chegou ali. Marcelino era uma xaxim de plástico e tinha um selo “Made in China” logo abaixo do seu vaso.
Margarida, que sofria pela falta de água, aos prantos reclamou: “Você não tem raízes, Marcelino!”. O polímero sintético respondeu: “Não possuo, mas tenho meus próprios sintomas”.
Margarida engasgou, ensaiou algumas palavras, gaguejou e, por fim, desistiu de dizer alguma coisa. Marcelino sorriu e entregou para a vizinha o cartão de um terapeuta.
(Alex)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Dream on. Dream over.

e a arte... sempre falando por nós...

Quanto pode viver
Por ser passado?
Quem me pode dizer
Se é errado
Só não tente esconder
Os vestígios deixados
Por todo o seu caminho
Como posso sentir
Não ser amado
Quando vejo você
Bem ao meu lado?
Como posso te ter
Se ao menos posso me ter?
Medo
Quando quis você em segredo
Escorrendo pelos dedos
A idéia de ser... perfeito
Te- lo
Como quase um castigo
Quando vejo os vestígios
Do passado que te fez
Como posso viver sem ser errado?
Como irei aprender
Sem ter passado
Como posso me ter junto ao teu lado
Com mais um milhão de pessoas?
Quando irei entender o seu traçado
Quando a vida nos fez tão mal amados?
E os vestígios talvez
Tenham sido traçados... só pra mim
Pra que fugir?
Pra que voltar?
Pra que mentir?
Pra que... amar?

(Vestigios - Anacrônica)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Encardida

"EU só sei que quando QUERO
exagero esforços em TER,
por mais QUE seja dificil a CAMINHADA,
não vejo PARADAS em meu seguir" (DAN)

... mas... quando eu não quero... FAVOR, NÃO INSISTIR!
Pela atenção, obrigada!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Biosfera

Sou um bicho do mato, acuado, desconfiado, arredio ao contato.
Ando sorrateiro, me desviando dos gravetos que facilmente se quebram, inúteis obstáculos, para não fazer barulho e passar despercebido.
Não quero ter presa, não quero ser presa, não quero ter pressa.
Às vezes, me vejo paralisado, enclausurado, encasulado, esperando o momento de sair incólume, irreconhecível, distraindo com minha aparência externa, àqueles que apenas a isso querem enxergar e nada mais.
Sou um animal marinho, calado, sozinho.
Fujo assustado, em disparada diante do inevitável, do remoto, da repetição.
Sou um molusco, ápode, atado, carregando minha casa, na qual me amparo ante rotinas e contradições.
Tenho minha ostra, sem pérola, sem nada, casa vazia, só eu e minhas quinquilharias, algumas com sentido, lembranças e saudades, outras somente pra compor o espaço, abafar o eco do meu reduto, meu mundo, meu quarto.
Dentro de mim, às vezes grito, às vezes calo. Espaço seguro.