Que eu gosto de rap não é novidade. Qualquer pessoa que conviva comigo um dia, acaba percebendo, seja por dizer mesmo, seja por expressões, gírias, enfim, é algo que incorporei porque faz sentido, gosto da batida, gosto das letras.
Acredito no movimento.Penso que as ondas de violência que temos hoje seriam maiores e mais impactantes caso o movimento HIP HOP não tivesse emergido.
Ele trouxe a voz calada das ruas, dos guetos, a (re) construção de uma identidade negra, mas, também pobre, trouxe a possibilidade de subjetivação para além dos centro urbanos, para além do padrão Globo de qualidade. A subjetivação da margem, da periferia, o que a gente não vê quando desliga a TV.
A fala entrecortada pelos sons dos scratchs que destoam do encadeamento, mas complementam, a crônica da vida dura, concreta que ganha ritmo, cadência sem simbolismos ou metáforas; as imagens distorcidas , mas carregadas de cores dos grafites, de signos muitas vezes não codificados que somos obrigados a nos confrontar nos muros das ruas. Não querem nos olhar, mas a montanha veio e está aqui.
O movimento dos B-Boys que emprestam seu corpo para malabarismos, diriam uns, contorcionismos, diriam outros, mas que trazem em sua dança a marca da diferença.
A diferença do molejo, do ritmo, da habilidade que se tem que desenvolver ao longo da vida de privações, vida de renúncias, vida de exclusões.
Peça licença e entre na roda, mas ali dá sim para saber quem é quem. É como se, através do movimento, nos dissessem: É, mas isso vocês não fazem, e se fizerem não é como nós!
Nós que utilizamos as imagens, fomos engolidos pela cinestesia da dança, a visibilidade dos grafites, o som abafado que não se barra nos carros escuros.
Só para contrariar as estatísticas da ciência das elites, fizeram melhor! Sem maldade...
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
Você tem sede de quê?
Qdo me faltam palavras, ó vcs aí! Obrigadíssima! Já começo o ano evitando a fadiga.
Na sacada do prédio Marcelino provocava inveja. Verde, vistoso, tão equilibrado em sua beleza que parecia o mesmo desde que chegou ali. Marcelino era uma xaxim de plástico e tinha um selo “Made in China” logo abaixo do seu vaso.
Margarida, que sofria pela falta de água, aos prantos reclamou: “Você não tem raízes, Marcelino!”. O polímero sintético respondeu: “Não possuo, mas tenho meus próprios sintomas”.
Margarida engasgou, ensaiou algumas palavras, gaguejou e, por fim, desistiu de dizer alguma coisa. Marcelino sorriu e entregou para a vizinha o cartão de um terapeuta.
(Alex)
Na sacada do prédio Marcelino provocava inveja. Verde, vistoso, tão equilibrado em sua beleza que parecia o mesmo desde que chegou ali. Marcelino era uma xaxim de plástico e tinha um selo “Made in China” logo abaixo do seu vaso.
Margarida, que sofria pela falta de água, aos prantos reclamou: “Você não tem raízes, Marcelino!”. O polímero sintético respondeu: “Não possuo, mas tenho meus próprios sintomas”.
Margarida engasgou, ensaiou algumas palavras, gaguejou e, por fim, desistiu de dizer alguma coisa. Marcelino sorriu e entregou para a vizinha o cartão de um terapeuta.
(Alex)
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Dream on. Dream over.
e a arte... sempre falando por nós...
Quanto pode viver
Por ser passado?
Quem me pode dizer
Se é errado
Só não tente esconder
Os vestígios deixados
Por todo o seu caminho
Como posso sentir
Não ser amado
Quando vejo você
Bem ao meu lado?
Como posso te ter
Se ao menos posso me ter?
Medo
Quando quis você em segredo
Escorrendo pelos dedos
A idéia de ser... perfeito
Te- lo
Como quase um castigo
Quando vejo os vestígios
Do passado que te fez
Como posso viver sem ser errado?
Como irei aprender
Sem ter passado
Como posso me ter junto ao teu lado
Com mais um milhão de pessoas?
Quando irei entender o seu traçado
Quando a vida nos fez tão mal amados?
E os vestígios talvez
Tenham sido traçados... só pra mim
Pra que fugir?
Pra que voltar?
Pra que mentir?
Pra que... amar?
(Vestigios - Anacrônica)
Quanto pode viver
Por ser passado?
Quem me pode dizer
Se é errado
Só não tente esconder
Os vestígios deixados
Por todo o seu caminho
Como posso sentir
Não ser amado
Quando vejo você
Bem ao meu lado?
Como posso te ter
Se ao menos posso me ter?
Medo
Quando quis você em segredo
Escorrendo pelos dedos
A idéia de ser... perfeito
Te- lo
Como quase um castigo
Quando vejo os vestígios
Do passado que te fez
Como posso viver sem ser errado?
Como irei aprender
Sem ter passado
Como posso me ter junto ao teu lado
Com mais um milhão de pessoas?
Quando irei entender o seu traçado
Quando a vida nos fez tão mal amados?
E os vestígios talvez
Tenham sido traçados... só pra mim
Pra que fugir?
Pra que voltar?
Pra que mentir?
Pra que... amar?
(Vestigios - Anacrônica)
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Encardida
"EU só sei que quando QUERO
exagero esforços em TER,
por mais QUE seja dificil a CAMINHADA,
não vejo PARADAS em meu seguir" (DAN)
... mas... quando eu não quero... FAVOR, NÃO INSISTIR!
Pela atenção, obrigada!
exagero esforços em TER,
por mais QUE seja dificil a CAMINHADA,
não vejo PARADAS em meu seguir" (DAN)
... mas... quando eu não quero... FAVOR, NÃO INSISTIR!
Pela atenção, obrigada!
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Biosfera
Sou um bicho do mato, acuado, desconfiado, arredio ao contato.
Ando sorrateiro, me desviando dos gravetos que facilmente se quebram, inúteis obstáculos, para não fazer barulho e passar despercebido.
Não quero ter presa, não quero ser presa, não quero ter pressa.
Às vezes, me vejo paralisado, enclausurado, encasulado, esperando o momento de sair incólume, irreconhecível, distraindo com minha aparência externa, àqueles que apenas a isso querem enxergar e nada mais.
Sou um animal marinho, calado, sozinho.
Fujo assustado, em disparada diante do inevitável, do remoto, da repetição.
Sou um molusco, ápode, atado, carregando minha casa, na qual me amparo ante rotinas e contradições.
Tenho minha ostra, sem pérola, sem nada, casa vazia, só eu e minhas quinquilharias, algumas com sentido, lembranças e saudades, outras somente pra compor o espaço, abafar o eco do meu reduto, meu mundo, meu quarto.
Dentro de mim, às vezes grito, às vezes calo. Espaço seguro.
Ando sorrateiro, me desviando dos gravetos que facilmente se quebram, inúteis obstáculos, para não fazer barulho e passar despercebido.
Não quero ter presa, não quero ser presa, não quero ter pressa.
Às vezes, me vejo paralisado, enclausurado, encasulado, esperando o momento de sair incólume, irreconhecível, distraindo com minha aparência externa, àqueles que apenas a isso querem enxergar e nada mais.
Sou um animal marinho, calado, sozinho.
Fujo assustado, em disparada diante do inevitável, do remoto, da repetição.
Sou um molusco, ápode, atado, carregando minha casa, na qual me amparo ante rotinas e contradições.
Tenho minha ostra, sem pérola, sem nada, casa vazia, só eu e minhas quinquilharias, algumas com sentido, lembranças e saudades, outras somente pra compor o espaço, abafar o eco do meu reduto, meu mundo, meu quarto.
Dentro de mim, às vezes grito, às vezes calo. Espaço seguro.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Eu
EU que sou diverso em MUITOS dos meus DESEJOS,
não VEJO como em SER uno, indivisível,estável demais PROS meus CANTINHOS de alma.
Eu que SOU diverso
OLHO meus avessos e ENCONTRO poesia nas MINHAS cores e CÓRNEAS
filtrantes das ILUSÕES vividas.
Eu que sou DIVERSO,
entendo IDÉIAS, pontos de VISTA e visito ERROS, alheios e MEUS, sempre meus.
NUNCA em mim a verdade é UMA só, sempre COM tonalidades disformes
em MEUS atalhos de ALMA.
Eu que SOU DIVERSO me AFASTO do normal, do CONCRETO, inteligível.
PREFIRO o perdido, o PROSCRITO, o ERRADO, instável aos TEUS olhos,
PORQUE eu sou DIVERSO de momentos e AÇÕES.
(Dan)
não VEJO como em SER uno, indivisível,estável demais PROS meus CANTINHOS de alma.
Eu que SOU diverso
OLHO meus avessos e ENCONTRO poesia nas MINHAS cores e CÓRNEAS
filtrantes das ILUSÕES vividas.
Eu que sou DIVERSO,
entendo IDÉIAS, pontos de VISTA e visito ERROS, alheios e MEUS, sempre meus.
NUNCA em mim a verdade é UMA só, sempre COM tonalidades disformes
em MEUS atalhos de ALMA.
Eu que SOU DIVERSO me AFASTO do normal, do CONCRETO, inteligível.
PREFIRO o perdido, o PROSCRITO, o ERRADO, instável aos TEUS olhos,
PORQUE eu sou DIVERSO de momentos e AÇÕES.
(Dan)
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Dos Reis
Hoje, enquanto tomava meu cafézinho, me lembrei do meu avô. Café com rapadura. Amo!
Convivi pouco com meu avô, consequências de decisões dos adultos de vida amarga, que afastam as crianças das coisas doces da vida.
Mas, lembranças os adultos não controlam, e elas emergem através de falas, juntamente com a fumaça do café, o cheiro da rapadura.
Meu avô era um homem calado, olhos azuis doloridos: pela vida e de tão lindos!
Distante, tinha em seu quartinho de bagunça o fetiche de todos os netos. Éramos proibidos de entrar! No máximo, até a porta! Assim era ele também, só chegávamos até onde ele deixava.
Sei que na vida, as estratégias é que dão o tom, e por um pouco do afeto do outro, a gente faz muitas coisas. Sei que consegui atrair meu avô para perto de mim: o fisguei com rapadura!
Ele amava rapadura e desde muito nova descobri meu gosto por doces, em especial, a tal da rapadura.
Era um ritual: canivete em uma mão, rapadura na outra, nós dois, sentados no chão. Lascas e mais lascas divididas comigo, ali em silêncio, eu fazendo parte daquele momento, onde meu avô parava para algo doce.
Até que eu cresci, a gente se afastou, e um dia ele se foi... por ironia, morreu numa Páscoa, cheia de chocolates.
Na época, sem muito gosto, mas, hoje, meio azedo, meio amargo.
Nunca mais teve rapadura na minha avó, o quartinho foi desfeito. Ele levou os olhos azuis, o silêncio ficou.
Convivi pouco com meu avô, consequências de decisões dos adultos de vida amarga, que afastam as crianças das coisas doces da vida.
Mas, lembranças os adultos não controlam, e elas emergem através de falas, juntamente com a fumaça do café, o cheiro da rapadura.
Meu avô era um homem calado, olhos azuis doloridos: pela vida e de tão lindos!
Distante, tinha em seu quartinho de bagunça o fetiche de todos os netos. Éramos proibidos de entrar! No máximo, até a porta! Assim era ele também, só chegávamos até onde ele deixava.
Sei que na vida, as estratégias é que dão o tom, e por um pouco do afeto do outro, a gente faz muitas coisas. Sei que consegui atrair meu avô para perto de mim: o fisguei com rapadura!
Ele amava rapadura e desde muito nova descobri meu gosto por doces, em especial, a tal da rapadura.
Era um ritual: canivete em uma mão, rapadura na outra, nós dois, sentados no chão. Lascas e mais lascas divididas comigo, ali em silêncio, eu fazendo parte daquele momento, onde meu avô parava para algo doce.
Até que eu cresci, a gente se afastou, e um dia ele se foi... por ironia, morreu numa Páscoa, cheia de chocolates.
Na época, sem muito gosto, mas, hoje, meio azedo, meio amargo.
Nunca mais teve rapadura na minha avó, o quartinho foi desfeito. Ele levou os olhos azuis, o silêncio ficou.
