"Era uma vez, uma mulher que via um futuro grandioso para cada homem que a tocava. Um dia ela se tocou..." (Alice Ruiz)
“... o discurso amoroso é hoje de uma extrema solidão. Tal discurso talvez seja falado por milhares de sujeitos, mas não é sustentado por ninguém…”. (Fragmentos de um discurso amoroso - Roland Barthes)
"Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas." (Caio Fernando Abreu)
terça-feira, 5 de maio de 2009
domingo, 3 de maio de 2009
Luva de pelica
Estava eu voltando para casa outro dia, daqueles dias que você anda mais pensativa que o habitual, que a vida tem menos sentido que o costumeiro. Dentre tantas travessias, parei para atravessar a rua.
Duas senhoras, idade de fato avançada, paradas com a pressa das pessoas, a velocidade dos carros, a modernidade que não permite olharmos para nada que não seja máquina, tentavam também, creio eu que sem sucesso já há alguns minutos. Elas ali, perdidas na temporalidade de outra época, enclausuradas pela condição da tecnologia que o corpo e mente já não acompanham.
Havia também uma família, nuclear demais para os moldes da exclusão: pai, mãe e filho, maltrapilhos, maltrajados, daqueles que a maioria dos que dirigiam rapidamente e impediam a passagem, ou até mesmo aquelas senhoras desviariam se na mesma calçada estivessem. Considerados sem dignidade, sem educação, enfim, incluídos apenas na falta, nas vulgarmente nomeadas carências; carências criadas pela normatização, pela moral que determina como, onde e por quê.
Pois, aquele homem a quem tanto falta, num ímpeto de indignação e cavalheirismo nunca antes visto por mim, foi para o meio da rua e parou os carros com seu corpo tão sem valor produtivo, e gentilmente convidou as senhoras a atravessar, segurando ali com sua mão, que não é de obra, provavelmente, pela sua condição de provável desemprego formal.
Eu ali com meu corpo inserido, com meus trajes modernos e da moda, com meu discurso acadêmico não fui capaz de fazer isso, aliás, nunca nem me ocorreu tal ato.
Enquanto eu faria um memorando, uma denúncia reivindicando condições ou um semáforo, ele transformou a indignação em ato e se mostrou mais cidadão que qualquer um de nós.
Aquele homem com sua pouca instrução formal tem em seu corpo a ética inscrita, porque ele a vive. A carência é de quem?
E ao chegar do outro lado da calçada, a vida voltou a ter sentido e os olhos brilharam, com algumas lágrimas que tentaram também me atravessar, mas, admito, não deixei... há excessos demais em mim e na minha rotina para que elas pudessem cair.
Duas senhoras, idade de fato avançada, paradas com a pressa das pessoas, a velocidade dos carros, a modernidade que não permite olharmos para nada que não seja máquina, tentavam também, creio eu que sem sucesso já há alguns minutos. Elas ali, perdidas na temporalidade de outra época, enclausuradas pela condição da tecnologia que o corpo e mente já não acompanham.
Havia também uma família, nuclear demais para os moldes da exclusão: pai, mãe e filho, maltrapilhos, maltrajados, daqueles que a maioria dos que dirigiam rapidamente e impediam a passagem, ou até mesmo aquelas senhoras desviariam se na mesma calçada estivessem. Considerados sem dignidade, sem educação, enfim, incluídos apenas na falta, nas vulgarmente nomeadas carências; carências criadas pela normatização, pela moral que determina como, onde e por quê.
Pois, aquele homem a quem tanto falta, num ímpeto de indignação e cavalheirismo nunca antes visto por mim, foi para o meio da rua e parou os carros com seu corpo tão sem valor produtivo, e gentilmente convidou as senhoras a atravessar, segurando ali com sua mão, que não é de obra, provavelmente, pela sua condição de provável desemprego formal.
Eu ali com meu corpo inserido, com meus trajes modernos e da moda, com meu discurso acadêmico não fui capaz de fazer isso, aliás, nunca nem me ocorreu tal ato.
Enquanto eu faria um memorando, uma denúncia reivindicando condições ou um semáforo, ele transformou a indignação em ato e se mostrou mais cidadão que qualquer um de nós.
Aquele homem com sua pouca instrução formal tem em seu corpo a ética inscrita, porque ele a vive. A carência é de quem?
E ao chegar do outro lado da calçada, a vida voltou a ter sentido e os olhos brilharam, com algumas lágrimas que tentaram também me atravessar, mas, admito, não deixei... há excessos demais em mim e na minha rotina para que elas pudessem cair.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Aquaplay
"Há marés no corpo." (Virgínia Woolf)
... há enchentes na alma, mas há almas e corpos que precisam de nascentes...
... há enchentes na alma, mas há almas e corpos que precisam de nascentes...
Auto escola, urgente!
I Drove All Night - Cyndi Lauper
I had to escape
The city was sticky and cruel
Maybe I should have called you first
But I was dying to get to you
I was dreaming while I drove
The long straight road ahead,
Could taste your sweet kisses
Your arms open wide
This fever for you is just burning me up inside
I drove all night to get to you
Is that alright
I drove all night
Crept in your room
Woke you from your sleep
To make love to you
Is that alright
I drove all night
What in this world
Keep us from tearing apart
No matter where I go I hear
The beating of your heart
I think about you
When the night is cold and dark
No one can move me
The way that you do
Nothing erases the feeling between me and you
I drove all night to get to youIs that alright
I drove all night
Crept in your room
Woke you from your sleep
To make love to you
Is that alright
I drove all night
Could taste your sweet kisses
Your arms open wide
This fever for you is just burning me up inside
I drove all night to get to you
Is that alright
I drove all night
Crept in your room
Woke you from your sleep
To make love to you
I drove all night... to hold you tight
I had to escape
The city was sticky and cruel
Maybe I should have called you first
But I was dying to get to you
I was dreaming while I drove
The long straight road ahead,
Could taste your sweet kisses
Your arms open wide
This fever for you is just burning me up inside
I drove all night to get to you
Is that alright
I drove all night
Crept in your room
Woke you from your sleep
To make love to you
Is that alright
I drove all night
What in this world
Keep us from tearing apart
No matter where I go I hear
The beating of your heart
I think about you
When the night is cold and dark
No one can move me
The way that you do
Nothing erases the feeling between me and you
I drove all night to get to youIs that alright
I drove all night
Crept in your room
Woke you from your sleep
To make love to you
Is that alright
I drove all night
Could taste your sweet kisses
Your arms open wide
This fever for you is just burning me up inside
I drove all night to get to you
Is that alright
I drove all night
Crept in your room
Woke you from your sleep
To make love to you
I drove all night... to hold you tight
Assim caminha a humanidade...
The Goonies Are Good Enough - Cyndi Lauper
Here we are hanging' on to strains
Of greed and blues
Break the chain and we break down
Oh, it's not real if you don't feel it
Unspoken expectations
Ideals you used to play with
They've finally taken shape
What's good enough for you
Is good enough for me
It's good enoughI
t's good enough for me
Now you'll say you're starting' to feel
The push and pull
Of what could be and never can
You mirror me stumbling' through those
Old fashioned superstitions
I find too hard to break
Oh, maybe you're out of place
What's good enough for you
Is good enough for me
It's good enough
It's good enough for me
Here we are hanging' on to strains
Of greed and blues
Break the chain and we break down
Oh, it's not real if you don't feel it
Unspoken expectations
Ideals you used to play with
They've finally taken shape
What's good enough for you
Is good enough for me
It's good enoughI
t's good enough for me
Now you'll say you're starting' to feel
The push and pull
Of what could be and never can
You mirror me stumbling' through those
Old fashioned superstitions
I find too hard to break
Oh, maybe you're out of place
What's good enough for you
Is good enough for me
It's good enough
It's good enough for me
sábado, 18 de abril de 2009
Ad continum
Dois Rios - Skank
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão
O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão
Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão
O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão
Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Adicta
Hotel Cervantes - Autoramas
Meu coração não sabe qual a direção,
o rumo que vai me guiar
mil encantos tem o mundo
meu coração tem lá sua razão,
não quer mais sofrer em vão
quer resolver em um segundo
Solidão, parceira de mil noites
minha tábua de salvação
qual palavra que dá nome?
que retoma minha atenção
completamente impaciente
esperar você chegar
sou resistente, mas sigo em frente
pra onde eu possa descansar tranquilo
Meu coração não sabe qual a direção,
o rumo que vai me guiar
mil encantos tem o mundo
meu coração tem lá sua razão,
não quer mais sofrer em vão
quer resolver em um segundo
Solidão, parceira de mil noites
minha tábua de salvação
qual palavra que dá nome?
que retoma minha atenção
completamente impaciente
esperar você chegar
sou resistente, mas sigo em frente
pra onde eu possa descansar tranquilo
